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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bananal: Arqueologia Histórica

Bananal: Arqueologia Histórica Autores: FRANCISCO, B. H. R.1, BELTRÃO, C. B. de A. N.2 1-Centro Brasileiro de Arqueologia (CBA) – secretario1@cbarqueol.org.br; 2-Centro Brasileiro de Arqueologia (CBA) – secretario2@cbarqueol.org.br Palavras-chave: Bananal, história, fazendas
Resumo: O trabalho apresenta os principais sítios urbanos e rurais do município paulista de Bananal, no médio vale do Rio Paraíba do Sul. Resulta de pesquisa bibliográfica e observações de campo efetuadas pelos autores em diferentes fases, sobretudo durante as visitas técnicas empreendidas pelo Centro Brasileiro de Arqueologia. O sitio urbano é tombado pelo patrimônio Histórico (CONDEPHAAT) com destaque para o Solar Manoel Aguiar Vallim, que há alguns anos vem sendo recuperado por um grupo de moradores em mutirão, além da Estação Ferroviária importada da Bélgica pelos barões do café. Na zona rural, destacam-se as fazendas que guardam muito dos aspectos do auge do café na região, são elas fazendas Resgate, Boa Vista e Três Barras. Acresce a trilha do ouro e a estrada dos tropeiros são apenas algumas das evidências de um passado cuja memória deve ser preservada. Abstract: The paper presents the main sites of urban and rural municipality of Bananal, in the middle valley of the Rio Paraiba do Sul. It results from literature and field observations made by the authors in different phases, especially during the technical visits undertaken by the Brazilian Center Archaeology. The urban site is listed as a Historic (CONDEPHAAT) with emphasis on the Solar Manuel Aguiar Vallim, that a few years ago has been recovered by a group of villagers in collective effort, in addition to imported Belgian Railway Station for the coffee barons. In rural areas there are farms that keep many of the aspects of the coffee boom in the region with emphasis on the Resgate, Boa Vista and Três Barras. Added to the trail of the gold and the road of the cowboys are just some of the evidence of a past whose memory should be preserved.
1. A cidade de Bananal O município de Bananal, Estado de São Paulo no médio vale do Rio Paraíba do Sul, dista 316 km da capital do estado e 164 km da cidade do Rio de Janeiro. O acesso é feito pela rodovia Presidente Dutra (BR 116) ou pela antiga rodovia Rio-São Paulo. O arraial de Bom Jesus do Livramento de Bananal data de 1785 passando a freguesia em 1811, vila em 1832 e cidade em três de abril de 1849. Sua população é de cerca de doze mil habitantes, ocupando cerca de 600 km quadrados. O nome Bananal parece advir da palavra indígena banani, ou rio sinuoso, que os portugueses passaram a Bananal. Mas há quem discorde e pense na possibilidade de um verdadeiro plantio de bananas na região ser o motivo do nome.
Na época do descobrimento os habitantes eram índios três que viviam na serra da Bocaina, desciam ao vale e provavelmente iam ao litoral de Angra dos Reis. Desses habitantes quase nada restou a não ser material lítico, machados de pedra que o vulgo pensa ser pedra de raio (fulgurito). Não há estudos sistemáticos a esse respeito. A partir da chegada dos portugueses, e depois de outros imigrantes, como italianos e chineses, começou uma mudança radical, com desmatamentos para cultivo agrícola a principio voltado somente para a subsistência. Com o ciclo do café a região experimentou um período de grande riqueza. Chegou a ser avalista do Brasil relativamente a um empréstimo à Inglaterra, que exigiu a assinatura dos ricos cafeicultores de Bananal. Havia nas fazendas um grande número de escravos, cujos sinais da presença podem ser vistos em muitas dessas propriedades ainda hoje existentes, embora agora muitas tenham se tornado hotéis fazendas depois do declínio do café e, mais recentemente, da queda vertiginosa do ciclo do gado leiteiro. Infelizmente os objetos acham-se dispersos, não há ao menos um Museu que os exponha e nem uma reserva técnica institucional que os abrigue. O sitio urbano foi tombado pelo Patrimônio Histórico de São Paulo (CONDEPHAAT), assim como algumas edificações da área rural. Essas construções são verdadeiros tesouros históricos e arqueológicos merecedores de esforços para a sua preservação.
2. Principais construções Destacamos a Estação Ferroviária, construída na Bélgica e inaugurada em 24 de dezembro de 1999 pela Estrada de Ferro Bananal. Essa estação com 400 m2 e mais de 2000 placas ajustadas com parafusos é um monumento internacional, uma relíquia histórica sem similar no Brasil. Valorizada no exterior, mas pouco valorizada no Brasil, requer cuidados, pois o tempo deixa suas marcas. Chuvas molham o piso original de madeira, passando por frestas no telhado. Depois que foi extinta a Estrada de Ferro em 1964, a estação foi sede de correios, biblioteca e rodoviária. Na verdade, ali deveria abrigar o Museu do Café do Município de Bananal. Estação Ferroviária
Outro prédio que merece atenção é o Solar Manoel Aguiar Vallim, cujo dono na época áurea da cafeicultura era um rico fazendeiro, dono da Fazenda Resgate. Tombado pelo patrimônio, o prédio abrigou o Grupo Escolar Nogueira Cobra, onde um dos autores deste trabalho foi estudante, depois passou a sede da prefeitura e sendo mais tarde abandonado. Corria sérios riscos de tombar literalmente, até que a comunidade local resolveu comprar a briga e partir para um histórico mutirão, conseguindo salvar o prédio. Esse trabalho continua até os dias atuais, sendo necessariamente lento, tanto pelo tipo de trabalho de restauração quanto pelas dificuldades de obtenção de recursos financeiros, advindos estes tão somente de bingos semanais. È muito pouco, sem dúvida. Outros destaques são o antigo Hotel Brasil, a Igreja Matriz Bom Jesus do Livramento, e a Pharmacia Popular – a mais antiga farmácia ainda em funcionamento no Brasil (desde 1830) - e todo o casario de estilo colonial tombado pelo CONDEPHAAT. Seu patrimônio – que preserva instrumentos originais, sais, tinturas e potes de porcelana francesa da época do Império – faz parte do primeiro acervo cultural farmacêutico do Brasil. Pharmacia Popular, fachada Na zona rural, destaque para as fazendas Boa Vista, Saudade, Bela Vista, Coqueiros, Glória, Independência, Três Barras e a mais majestosa, a Fazenda Resgate. Interessante que o nome Resgate se deve ao ato da compra de escravos tribais por mercadores europeus, que assim estariam praticando um resgate. Na realidade constituía uma autêntica prática de sofisma. Fazenda Bela Vista Fazenda Resgate Nessas fazendas os instrumentos de tortura, mobiliário de época entre outros, constituem grande atração para os visitantes. A região tem ainda diversos objetos que poderiam fazer parte de um Museu Histórico tais como arreios, cangalhas, jacás, ferraduras, pilões, etc. Por fim as incríveis moedas que circularam em Bananal, Barra Mansa e no Rio de Janeiro, cunhadas pelos barões do café e que representam de fato preciosidades marcantes de uma época de esplendor da região de Bananal no Estado de São Paulo.
Bibliografia consultada CASTRO, Hebe Maria Mattos; SCHNOOR, Eduardo. "Resgate: uma janela para o oitocentos". Rio de Janeiro, TOPBOOKS, 1995. GRAÇA, Plínio - Estância Turística e Ecológica de Bananal: Terra dos Barões do Café/organizador Plínio Graça. – São Paulo: Noovha América, 2006. (Série conto, canto e encanto com a minha história...).

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