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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

patrimônios ameaçados


Posted: 12 Feb 2012 01:52 PM PST
Um incêndio de grandes proporções, de causas ainda não confirmadas, destruiu um dois principais cartões-postais de Londrina e o único teatro da cidade, o Ouro Verde. Por volta das 15h45 da tarde deste domingo (12), o vigia do teatro, única pessoa dentro do prédio, sentiu o cheiro de fumaça e acionou os bombeiros que chegaram por volta das 16h.
As chamas se alastraram rapidamente por dentro do teatro. Com o calor, o teto da parte do teatro desabou. Devido às proporções das chamas, a fumaça podia ser vista ao longe.
As chamas e a cortina de fumaça podiam ser observadas de longe.
Com o risco de desabamento da fachada – uma vez que a avaliação preliminar dos soldados do Corpo de Bombeiros apontava apenas que o hall de entrada estava em pé -, o Calçadão de Londrina foi fechado para o público em frente ao prédio. Também houve corte de energia elétrica de toda a região central.
Três caminhões-tanque e viaturas de apoio foram utilizadas no combate às chamas. Soldados do Corpo de Bombeiros utilizaram até da estrutura do Edifício Monções, ao lado do teatro e que está em reformas, para chegar até as chamas. Homens da Polícia Militar, Guarda Municipal e agentes de trânsito foram destacados para evitar acidentes nas proximidades.
O trabalho do Corpo de Bombeiros durou mais de duas horas no combate ao fogo. A previsão é que o entorno do prédio continuará interditado devido ao risco de desabamento. Rachaduras no alto da construção indicam que a estrutura foi seriamente danificada.
A aglomeração de curiosos foi grande em frente ao local do incêndio. Dezenas de integrantes de grupos musicais e teatrais de Londrina foram conferir os estragos e lamentavam a destruição do único teatro de Londrina, que este ano, completaria 60 anos de fundação.
Avaliação
Segundo a reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Nádina Moreno, responsável pela manutenção do Teatro Ouro Verde, os prejuízos causados pelo incêndio são imensuráveis. “Quem perde é a comunidade de Londrina, é a cultura do Paraná”, lamentou.
O Teatro Ouro Verde completaria 60 anos de fundação este ano e uma programação especial estava sendo organizada.
Ela explicou que o teatro estava fechado para reformas do palco. E que as instalações elétricas eram revisadas periodicamente, sendo que a última aconteceu há menos de seis meses. “Estávamos em processo final de tombamento histórico nacional desse teatro. Não dá para mensurar o prejuízo, mas sabemos que é muito grande”, salientou.
De acordo com a reitora, os instrumentos musicais da Orquestra Sinfônica da UEL, por sorte, não estavam no prédio. “Eles foram utilizados na formatura que realizamos no Moringão no sábado (11) à noite e os guardamos em outro prédio na Rua Tupi”, comentou. No entanto, não havia informações sobre os dois pianos importados e um equipamento de iluminação recentemente doado pela Funarte que, acredita-se, foi perdido no incêndio.
Nádina disse ainda que estavam organizando uma grande ópera para o mês de março, além dos preparativos das comemorações dos 60 anos do teatro para este ano.
Já o secretário municipal de Cultura, Leonardo Ramos, estava transtornado com o estrago para a cultura e história de Londrina. “Ainda não temos certeza sobre a causa do incêndio. Imagina-se que tenha sido um curto-circuito. Infelizmente, isto aconteceu num domingo, dia em que apenas um vigia permanece no local”, explicou.
Ramos calcula que R$ 20 milhões será pouco para recuperar o que foi perdido. “O Teatro estava com agenda de 2012 repleta de eventos. Precisaremos de ações urgentes para encontrar locais que substituam o prédio que serviria aos festivais de teatro e música, por exemplo”, ressaltou.
“Estávamos organizando as atividades de comemoração dos 60 anos do Ouro Verde. É uma fatalidade. Felizmente, ninguém saiu ferido, mas precisaremos organizar campanhas para reerguer o prédio que tornou-se a referência cultural mais importante de Londrina”, disse o secretário de cultura.
Por causa do incêndio, Ramos acredita que será urgente a aprovação da reforma e ampliação do Cine Augustus, também no centro da cidade, pela Câmara Municipal.
A responsável  Magali Kleber, responsável pelo teatro, não estava em Londrina e está retornando de viagem, sendo comunicada do acontecido por telefone.
História
A fachada do Ouro Verde nos seus tempos de glória como um dos principais cinemas de Londrina.
O Cine Teatro Ouro Verde, inaugurado em 1952, é um dos mais antigos cinemas do interior do Paraná e desde 1978 pertence à Universidade Estadual de Londrina (UEL). O nome é uma referência ao período de ouro da cafeicultura, também chamada de ouro verde, que levou Londrina a ser considerada a capital mundial do café.
O cinema foi projetado pelo arquiteto Villanova Artigas, inicialmente com 1.500 lugares, e foi nele que no final da década de 70 e início de 80 se apresentaram alguns dos maiores nomes da música brasileira pelo Projeto Pixinguinha, o Seis e Meia. Fotos de Mônica Almeida e Alberto Ferreira
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Posted: 12 Feb 2012 12:36 PM PST
A Cultura da Paz.
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Posted: 12 Feb 2012 12:33 PM PST
Imagens antigas do edifício São Pedro circularam nas redes sociais e chamaram atenção para o local.
Inaugurado em 1951, o Edifício São Pedro foi o primeiro da orla marítima de Fortaleza. O prédio foi construído com alvenaria e tem a estrutura parecida com a de um navio. Ele abrigava o Iracema Plaza Hotel. Arquivo pessoal/Nirez
Hoje, o edifício apresenta alguns problemas, mas os proprietários afirmam que conversam com a Prefeitura para que ele seja revitalizado e volte a funcionar como um hotel, visando à Copa do Mundo de 2014. Marilia Camelo
Na Avenida Historiador Raimundo Girão, um dos principais corredores turísticos da cidade, que liga o aterro da Praia de Iracema ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, chama a atenção o histórico Edifício São Pedro, que abrigou também o Iracema Plaza Hotel. Para os apaixonados pela edificação, a boa notícia é que os proprietários estão em conversação com a Prefeitura para que o prédio seja revitalizado e volte a funcionar como hotel, visando à Copa do Mundo de 2014.
Será um empreendimento de grande porte, com mais de 200 apartamentos. Um estudo de viabilidade financeira já está sendo desenvolvido.
O Edifício São Pedro foi inaugurado em 1951. Construído de alvenaria, foi o primeiro da orla marítima de Fortaleza, com estrutura bem parecida com a de um navio. Na semana passada, imagens antigas do prédio foram divulgadas nas redes sociais, ganhando grande repercussão. Uma das principais preocupações dos internautas era a de que o prédio pudesse ser demolido, fato que não pode ser consolidado, já que o prédio foi tombado pela Prefeitura em 2006, por meio do decreto 11.960/06.
A turista paulista Nídia Alves, 44 anos, comenta que o prédio chama atenção pela arquitetura diferenciada, mas lamentou a situação precária em que se encontra. “É bonito, só está estragado. Se tiver condições de restaurar, Fortaleza ganha”.
O historiador Raimundo Marques, do Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), destaca que, como trata-se de um prédio privado, a restauração fica a critério do proprietário. O poder público só pode se envolver se este dono não possuir recursos. Por se tratar de um bem tombado, em caso de restauro, a obra teria de ser acompanhada por arquitetos da Secultfor.
O prédio pertence a várias pessoas, mas os proprietários majoritários continuam sendo integrantes da família Philomeno Gomes. Porém, a falta de manutenção ao prédio resultou em alguns problemas.
Sinais de deterioração começam a aparecer. Por esse motivo, bandejas tiveram de ser fixadas na parte externa do edifício, com o intuito de proteger quem passa pela calçada.
Comércios
Atualmente, o hotel está desativado, somente o térreo mantém alguns comércios. Contudo, segundo Carlos Alexandre Gentil Philomeno Gomes, síndico e diretor da empresa majoritária – Philomeno Imóveis Participação S/A – em breve, o prédio será totalmente desativado.
Gomes reconhece que o Edifício São Pedro está precisando urgentemente ser revitalizado, por isso entrou em negociação com a Prefeitura. Pertencente à quarta geração dos Philomeno Gomes, Alexandre Philomeno, neto de Pedro Philomeno, destaca que o seu desejo é que a Praia de Iracema volte a ser o que era antes. Para ele, o Iracema Plaza e o São Pedro merecem todo cuidado possível. “Penso em honrar o nome da família”, afirma.
As fotos antigas do Iracema Plaza Hotel que circulam nas redes sociais são do arquivo do jornalista Miguel Nirez. O historiador cita que, em fevereiro de 1963, hospedou-se no Iracema Plaza o artista plástico cearense radicado em São Paulo, Aldemir Martins. Quem também morou lá por muitos anos foi o jornalista Lúcio Brasileiro.
Contudo, o fato mais curioso relatado por Nirez é que o proprietário do prédio, ainda em construção, sonhou certa noite que, no dia em que ele terminasse a construção, ele morreria. Para não correr o risco, suspendeu as obras, mas faleceu antes de o prédio ser concluído.
Edifícios viraram hotéis
Em 1951, a imobiliária Pedro Philomeno Gomes estava construindo dois prédios: o Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, e o Edifício Philomeno, no Centro. Mas, devido a um grande evento que iria ocorrer na cidade e à falta de local para abrigar os visitantes, o governador pediu que parte dos prédios fosse transformada em hotel.
Assim, o Edifício Philomeno Gomes passou a se chamar Lord Hotel e, o Edifício São Pedro, Iracema Plaza Hotel. Ambos operavam 50% como hotel e 50% como residencial e comercial.
Depois de um tempo, o Iracema Plaza incorporou parte dos apartamentos residenciais e passou a operar 75% como hotel. Segundo relato de Carlos Alexandre Gentil Philomeno Gomes, síndico do prédio, o auge do Iracema Plaza foi da década de 1960 a 1980. Durante 20 anos funcionou, no térreo do edifício, o restaurante Panela, frequentado pela alta sociedade cearense. O prédio começou a ser construído na década de 1940, com inauguração em 1951. A última reforma foi realizada em 1980.
Posted: 12 Feb 2012 12:26 PM PST
Editorial do Diário do Nordeste
Quando um país se afirma no estágio de desenvolvimento notório, o espírito de solidariedade deve unir e nortear seus governantes e cidadãos, tendo como base que o estímulo e a preservação dos valores culturais, sob as mais diversas manifestações, corre substancialmente em paralelo à sobrevivência de uma identidade nacional forte e definida.
Jamais se pode subestimar as ações culturais como fonte geradora de meios de sobrevivência e desenvolvimento. Mesmo os resultados imediatos advindos desse exercício podem promover a circulação de dinheiro, através da criação de atividades remuneradas. Considere-se que as receitas minguadas oriundas da performances cotidianas de artistas populares em logradouros públicos contribuem para o suprimento das necessidades básicas de vários segmentos menos favorecidos da população.
Um bom exemplo vem da Argentina. Ainda em meio às crises atravessadas, conserva o apreço que um povo dito civilizado deve manter em relação a seus valores culturais, os quais, mesmo em períodos de turbulência econômica, não devem ser tratados como itens supérfluos, ou notoriamente secundários, na escala de priorizações dos governos e da sociedade. Embora tenham sido recentemente registrados, entre os argentinos, recordes históricos de desemprego e proletarização, ao ponto de originar uma inusitada onda de assaltos na até então pacífica cidade de Buenos Aires, um hábito popular, contudo, não foi afetado. Conforme atestam as pesquisas realizadas, o consumo de bens culturais, que sempre foi uma das mais tradicionais características de sua população, manteve-se ao largo das adversidades.
Apesar da sensível redução de anteriores hábitos de consumo na Argentina, a contenção das despesas destinadas à aquisição de informações, assim como às promoções artísticas e culturais, foi bem menor do que aquela observada quanto aos gastos com alimentação e vestuário, mantendo-se a respeito desses dois últimos itens apenas as despesas consideradas dentro dos limites para uma razoável qualidade de vida. Tornou-se óbvio que o provimento das necessidades do intelecto ativo, pelos bens culturais, não deveria ser subestimado para priorizar dispêndios com modismos passageiros ou excessos gastronômicos.
Os governos têm compreendido essa realidade determinada pelo progresso material e investem recursos orçamentários na difusão e multiplicação de bens e equipamentos culturais. No entanto, esse esforço ainda é insuficiente. No Brasil, pelo que se tem observado ao longo de décadas, os primeiros itens a serem sacrificados em tempos de crise são, exatamente, os relacionados à cultura. Em várias épocas, foram registradas declarações explícitas de autoridades monetárias sobre uma suposta inferioridade dos valores da cultura diante de economia periclitante ou, até mesmo, o que é mais deplorável, em fases de estabilidade.
O espírito mercantilista que domina a concepção de alguns governantes e tecnocratas não se dá conta de que muitos problemas melhor se resolvem em outras áreas como o da sensibilidade humana. Segundo o sociólogo argentino Hugo Lewin, “no momento em que uma crise ameaça destruir os valores de sua sociedade, as pessoas buscam suas raízes e uma razão de ser na cultura”. Em outras palavras, a cultura atua no impedimento e na prevenção de diversos tipos de revezes, elevando a estima de um povo em relação a si próprio e ajudando a alicerçar um desenvolvimento consciente, na maior amplitude de tal conceito.
Fonte original da notícia
Posted: 12 Feb 2012 12:22 PM PST
Quadros foram parcialmente corrompidos por cupins em fevereiro de 2009. Cidade, que tem o maior acervo sacro do artista, sofre ação da Promotoria.
"A Sagrada Família" de Cândido Portinari em Batatais (Foto: Reprodução/EPTV)
Atingidas por cupins em fevereiro 2009, três obras de Cândido Portinari expostas na Igreja Senhor Bom Jesus da Cana Verde em Batatais, no interior de São Paulo, ainda aguardam restauração. Em 2010, o Ministério Público do Estado de São Paulo entrou com uma ação civil pública para que a prefeitura tomasse providências.
A igreja guarda 28 obras que compõem o maior acervo sacro reunido do artista, incluindo as 14 telas da “Via Sacra”, tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaat).
Prefeitura
O secretário de Turismo de Batatais, Antônio Carlos Correa, acusa o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de dificultar o início dos trabalhos de restauro.
Ele disse por telefone ao G1 que uma empresa já foi contratada para executar a restauração, orçada em R$ 600 mil. “O que está emperrando é o próprio Iphan, que está bastante moroso. Já enviamos documentos, mas eles dizem que estão analisando”, disse Correa.
Iphan
O Iphan foi procurado pela equipe do G1 , mas não se manifestou sobre o caso.
Fonte original da notícia
Posted: 12 Feb 2012 12:15 PM PST
“Algumas pessoas dizem que Belém é a cidade do já teve. É triste admitir, mas em relação ao patrimônio histórico, a afirmação é verdadeira”. Com a trajetória de quem há anos se dedica ao estudo de espaços seculares da capital paraense, a professora Ida Hamoy, da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Pará (UFPA), fala com pesar sobre a situação em que se encontram alguns prédios de grande relevância à preservação cultural da região.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

PESQUISA

Mais um patrimônio ameaçado

Rio de Janeiro, Brasil.

Beach rock de Jaconè ameaçado de desaparecer para a construção de um Porto de interesse da Petrobrás.Local visitado por Darwin em 1932 tem alto interesse geológico, histórico e arqueológico sendo um patrimônio da humanidade.


PESQUISA

AGUARDE

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ANAIS DO I ENCONTRO LATINO AMERICANO DE ARQUEOLOGIA


Conferência
PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO, MEIO AMBIENTE
E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
José Luiz de Morais
Professor Titular, Museu de Arqueologia e Etnologia – USP
jlmorais@uol.com.br





ambiente
sumário
1 . Construindo uma interface amigável entre o patrimônio arqueológico e o meio ambiente
2. Estatuto jurídico do patrimônio arqueológico: novas tendências
3. Formatando uma linha deNacional do Meio Ambiente: proteção e preservação
5. As unidades de conservação e as estratégias de preservação da arqueoinformação
 pesquisa na interface patrimônio arqueológico/meio
4. Patrimônio Arqueológico e Política


1 . Construindo uma interface amigável entre o patrimônio arqueológico e o meio ambiente
— o patrimônio arqueológico e os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente
     destaques, lei federal 6938/1981
          o zoneamento ambiental
          a avaliação de impactos ambientais
          o licenciamento ambiental
          a criação de unidades de conservação
          o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente
          o Cadastro Técnico Federal de Atividades
          as penalidades disciplinares ou compensatórias
— A importância da definição da regra infra-legal pela União
          resolução CONAMA 001/1986
          resolução CONAMA 237/19997         
          portaria IPHAN 230/2002)



2. Estatuto jurídico do patrimônio arqueológico: novas tendências
A tutela e a gestão do patrimônio arqueológico, enquanto bem da União, será melhor entendida à luz da consideração conjunta de vários dispositivos constitucionais, começando pelos princípios estabelecidos no art. 1º do diploma maior que, além de discriminar a arquitetura do sistema federativo — União, Estados, Distrito Federal e Municípios — define que o Brasil é um Estado Democrático de Direito, onde todo o poder emana do povo.
Enquanto Estado, o Brasil tem propriedades e sua pessoa jurídica central — a União — incorpora o patrimônio arqueológico como um de seus bens. Porém, em que pese o estatuto de bem da União, o patrimônio arqueológico, como parte do meio ambiente cultural, estaria atrelado à condição de bem ambiental de interesse difuso.
Entendido como bem de interesse difuso, o patrimônio arqueológico será de uso comum do povo brasileiro. A União, sua gestora, fixará as regras para a sua melhor fruição, mediante a consolidação de estrutura híbrida que garanta a participação direta da sociedade.



3. Formatando uma linha de pesquisa na interface patrimônio arqueológico/meio ambiente
  ARQUEOLOGIA DA PAISAGEM
  — relações arqueologia / geografia
       espaço
       território
       georreferenciamento
       planejamento e gestãoArqueologia da paisagem
O escopo da arqueologia da paisagem é  investigar o processo de artificialização do meio, na perspectiva dos sistemas regionais de povoamento. Seu tema central é a reconstrução dos cenários das ocupações humanas, com foco na dispersão das populações pelo ecúmeno, episódio que gerou paisagens específicas.
Fundamentada nas bases teóricas e conceituais das disciplinas de origem [arqueologia e geografia], a arqueologia da paisagem converge seus esforços para duas dimensões: a matriz ambiental natural, relacionada com o meio físico-biótico, e o ambiente modificado, relacionado com o meio socioeconômico e cultural.
Resumindo, ela se configura como uma estratégia de investigação para o estudo dos processos sociais em sua dimensão espacial, reconstruindo e interpretando a evolução da paisagem arqueológica e os padrões de assentamento a partir das expressões materiais da cultura.  




Paisagem, espaço e região são termos freqüentemente empregados na geografia, disciplina que cuida das relações homem/meio. Tema clássico da investigação geográfica, a noção de paisagem difere de acordo com o interesse de que é objeto ou a maneira como se encara.
São diferentes os enfoques que geógrafos, historiadores e arquitetos utilizam no trato da paisagem que, de maneira simples, tem sido definida como a parte de um território que se apresenta como um cenário composto por um mosaico de elementos relevantes ao observador.
Portanto, o entendimento da paisagem resulta da análise de tudo o que é visível à observação, compondo um mecanismo complexo de múltiplas variáveis.

No caso da arqueologia da paisagem, o termo é preferencialmente visto sob a ótica da sociedade, ou seja, a paisagem é construída e continuamente reconstruída pela sociedade em evolução.
Resumindo, a paisagem, resultado do processo de artificialização do meio, é objeto da arqueologia da paisagem, linha de pesquisa que estuda a regularidade, o arranjo e a distribuição das transformações do meio ambiente em uma área geográfica definida. O processo de artificialização do meio resulta na sucessão de cenários plenamente articulados, reforçando a complexidade do conceito de paisagem construída.
A paisagem analisada pelo arqueólogo não é apenas o ecossistema mas, sim, o lugar pleno de assinaturas antrópicas que se sucedem no tempo. Pela forma e evolução da paisagem construída, procura-se chegar aos seus autores




estágios da arqueologia da paisagem [considerando a arqueologia in totum]
1 básico
Rastreamento do potencial arqueológico, incluindo os compartimentos da paisagem, os conjuntos urbanos, as edificações [arquitetura formal e vernacular] e demais construções de interesse para a arqueologia.
2 avaliação
Mensuração do potencial arqueológico, convergindo para o rastreamento de registros arqueológicos por extensões de tamanho variado, com o reconhecimento genérico de sua forma, funcionamento e mudanças.
3 manejo
Intervenção no patrimônio arqueológico, com o reconhecimento de sua forma, funcionamento e mudanças, em detalhe.





Sistemas regionais de povoamento
A coordenação entre registros arqueológicos, inferida pelas possíveis relações espaciais, socioeconômicas e culturais [considerando sua proximidade, contemporaneidade, similaridade ou complementaridade], pode indicar um antigo sistema regional de povoamento
O conceito de sistema regional de povoamento tem sua melhor sustentação na geografia, pois refere-se à dispersão das populações pelo ecúmeno terrestre e à conseqüente produção paisagens, com a construção de cenários que se sucedem.
O enfoque dos sistemas regionais de povoamento é organizado por escalas de abordagem: macro-sistemas [macro-região], sistemas [região] e sistemas locais [micro-região]; a escala intermediária – sistemas regionais – identifica o conceito por ser a mais comum.


4. Patrimônio arqueológico e Política Nacional do Meio Ambiente: proteção e preservação
    — federalismo cooperativo / competências comuns e concorrentes
A portaria IPHAN 230, de 17 de dezembro de 2002 estabeleceu o compasso necessário entre as licenças ambientais e a salvaguarda do patrimônio arqueológico, uniformizando ações, tanto da parte do corpo técnico do órgão federal, como dos profissionais que lidam com o assunto.
Fazendo uso das competências comuns e concorrentes na proteção do patrimônio arqueológico, do Estado de São Paulo editou a resolução SMA 34, de 27 de agosto de 2003, que disciplina a inserção da arqueologia na avaliação de impactos ambientais pelo órgão licenciador ambiental paulista.
     — Nela é reiterada a competência federal para avaliar os assuntos de arqueologia no licenciamento ambiental; porém, só se aplicará a portaria IPHAN 230, quando o estudo exigido for o EIA/RIMA. Nos demais estudos – RAPs, RIVs, EASs – há de se verificar antes, a existência de informações, indícios e evidências arqueológicas na área diretamente afetada pelo empreendimento.






5. As unidades de conservação e as estratégias de preservação da arqueoinformação
Preservação in situ: a adoção de mecanismos de manutenção e proteção dos registros arqueológicos nos ambientes de origem constitui a preservação in situ. Não há intervenções diretas que possam comprometer a estrutura física dos registros, embora sua leitura e análise seja possível por meio de métodos não invasivos.
Preservação ex situ: admite intervenções severas na estrutura física dos registros arqueológicos por meio de levantamentos arqueológicos, prospecções e escavações. O desmonte da matriz arqueológica é obrigatoriamente compensado pelo registro preciso das posições originais, de modo que ela possa ser virtualmente reconstituída em meio eletrônico. Os materiais coletados constituem o acervo das expressões materiais de cultura daquela sociedade extinta que deixou assinaturas em determinados compartimentos paisagísticos.



. As unidades de conservação e as estratégias de preservação da arqueoinformação
Lei federal 9985, de 18 de julho de 2000
SNUC – Sistema de Unidades de Conservação da Natureza
áreas protegidas > unidades de conservação > criação pelos níveis do sistema federativo
       — proteção integral: estações ecológicas, reservas biológicas, parques nacionais, monumentos naturais e refúgios de vida silvestre;
      
       — uso sustentável: áreas de proteção ambiental, áreas de relevante interesse ecológico, florestas nacionais, reservas extrativistas, reservas de fauna, reservas de desenvolvimento sustentável e reservas particulares do patrimônio natural.

DISTRIBUIÇÃO DOS SISTEMAS REGIONAIS DE POVOAMENTO INDÍGENA
PRÉ-COLONIAIS NO TERRITÓRIO PAULISTA
primeira aproximação








MACRO-SISTEMA DE CAÇADORES-COLETORES
Neste momento, a consolidação da arqueoinformação permite a abordagem dos caçadores-coletores do território paulista em escala macro, embora alguns desenhos regionais possam ser esboçados, em caráter especulativo.

Assim, um provável sistema regional ‘umbu’, correlacionável à tradição arqueológica, poderia ser aceito no momento em que for possível ampliar os limites da coordenação entre os respectivos registros arqueológicos, enfatizando as possíveis relações espaciais, socioeconômicas e culturais [na ‘tradição’ ela está centrada na tecnotipologia das indústrias líticas]. Embora sejam marcantes as dificuldades, o investimento em geotecnologias aplicadas à arqueologia poderá melhorar o quadro. 
 Nos flancos setentrionais do território paulista, a arqueoinformação ainda carece de melhor consolidação. Ao que tudo indica, há forte influência de sistemas regionais cujas áreas nucleares se localizariam entre as bacias do alto Paranaíba e do alto Tocantins e no alto-médio São Francisco.





MACRO-SISTEMA DE CAÇADORES-COLETORES
Continuando, o cenário genérico do macro-sistema de caçadores-coletores é tripartido:
— no interior paulista, as influências centradas no sul [eventualmente umbu] se sobrepõem às centradas na região do alto Paranaíba / alto Tocantins e no S. Franciso médio-superior; o eixo da subreposição estaria no rio Tietê, cuja bacia, alongada no sentido sudeste/noroeste comporia uma larga faixa de contato entre essas influências.
— as escarpas do planalto Atlântico, que regionalmente formam o conjunto serra do Mar / serra de Paranapiacaba] teriam separado abruptamente os sistemas regionais do planalto das populações sambaquieiras, que comporiam um sistema regional bem identificado e, portanto, de melhor individualização.

MACRO-SISTEMA DE AGRICULTORES
A ancestralidade tupi, guarani e kaingang compõe o macro-sistema de agricultores indígenas, que mais claramente pode ser organizado nos sistemas correspondentes: tupinambá, guarani [resultantes do desdobramento da tradição tupiguarani] e kaingang [correspondente à tradição itararé]. Embora as respectivas identidades sejam claras, a distribuição dos sistemas pelo território paulista ainda é bastante especulativa, especialmente considerando a efetiva sobreposição entre os sistemas guarani, kaingang e tupinambá, especialmente no Paranapanema que, neste caso, seria a faixa de sobreposição.

Na metade norte do território paulista, os interflúvios entre as bacias do Tietê e do Grande marcam o eixo de uma larga faixa de sobreposição entre os sistemas tupinambá e guarani e um possível sistema Sapucaí, correlacionável












Introdução à primeira aproximação cartográfica da distribuição dos sistemas regionais de povoamento indígena pré-coloniais pelo território paulista
— diretrizes principais:
a] parâmetros geoambientais
distribuição da coleção hídrica, modelado do relevo, identidade climática, organização da cobertura vegetal; especificidades e condicionantes micro-regionais;
b] parâmetros arqueológicos
georreferenciamento de registros arqueológicos [considerados marcadores territoriais dos sistemas]; datações [consideradas marcadores temporais dos sistemas, compondo um quadro de fluxos e refluxos de expansão]; inserção dos registros arqueológicos em quadro tipológico referencial, adequado ao escopo das aproximações cartográficas [escalas].
QUADRO TIPOLÓGICO REFERENCIAL
primeira aproximação
Registros arqueológicos de assentamentos do macro-sistema de caçadores-coletores indígenas pré-coloniais, produtores de pedra lascada, com expectativa de datação  entre o 1o e o 7o milênio a.C.
 
Registros arqueológicos de assentamentos de agricultores dos sistemas regionais Guarani, Kaingang ou Tupinambá, produtores de cerâmica e praticantes de manejo agroflorestal, com expectativa de datação  entre o 1o milênio d.C. e meados do século XVI; tentativamente se inclui um provável sistema regional Sapucaí.


QUADRO TIPOLÓGICO REFERENCIAL
primeira aproximação [continuação]
Registros arqueológicos multiusuários pré-coloniais não estratificados, compostos por escórias de matérias-primas líticas e artefatos, resultantes de atividades minerárias ou de oficinas indígenas pré-coloniais; matriz sedimentar inexpressiva.
 
Registros arqueológicos multicomponenciais de sucessivas ocupações humanas, com  seqüências estratigráficas inseridas na matriz sedimentar.
Ocorrências arqueológicas: objetos aparentemente isolados ou  informações georreferenciadas relativas a registros arqueológicos. 
NO PROCESSO DE MAPEAMENTO, OS REGISTROS ARQUEOLÓGICOS SÃO ASSUMIDOS COMO MARCOS TERRITORIAIS QUE, GEORREFERENCIADOS E INSERIDOS CRONOLOGICAMENTE, PERMITEM A DELIMITAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DOS TERRITÓRIOS DOS SISTEMAS REGIONAIS DE POVOAMENTO.